A Experiência Estética do Ensino como Superação da Neurofobia: Uma Hermenêutica da Facticidade na Educação Médica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62506/phs.v7i1.332

Palavras-chave:

Neurofobia, Fenomenologia, Educação Médica

Resumo

A neurofobia, frequentemente reduzida a uma dificuldade cognitiva frente às neurociências, é aqui reinterpretada como um fenômeno existencial, enraizado no retraimento ontológico do estudante diante de uma forma de saber marcada pela objetificação técnica. Com base na fenomenologia hermenêutica de Martin Heidegger, o artigo propõe apresentar a neurofobia como expressão de um modo de ser do Dasein que se vê apartado do mundo, da corporeidade e da historicidade do saber. A superação desse retraimento exige, por conseguinte, não apenas mudanças metodológicas, mas uma reconfiguração ontológica do ensino, concebido como um acontecimento (Ereignis) no qual o saber se apropria do estudante por meio da produção de presença. A dimensão estética do ensino, enquanto espaço de desvelamento do ser, é proposta como caminho para restaurar a co-presença, a afetividade e o enraizamento histórico da aprendizagem. Essa abordagem se inspira na concepção heideggeriana de que a arte não é mera representação, mas um acontecimento que põe a verdade em obra, desvelando o ser e instaurando um mundo. Dialoga-se ainda com o filósofo Edmund Husserl com o conceito de mundo-da-vida (lebenswelt) e a crítica literária e hermenêutica de Hans Ulrich Gumbrecht, com quem a reflexão rompe com a lógica eurocêntrica e instrumental da educação médica, apontando para uma razão sensível e situada.

Biografia do Autor

  • Camila Castelo Branco Pupe, Universidade Federal Fluminense

    Doutora em Neurologia e Neurociências pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
    Professora Adjunta de Neurologia na Universidade Federal Fluminense.
    Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Neurologia e Neurociências da UFF.
    Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

  • Leonardo Maciel Moreira, Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Doutor em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP).
    Professor Associado do Instituto Multidisciplinar de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ – Campus Macaé).
    Pesquisador CNPq e Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ).
    Macaé, RJ, Brasil.

  • Crisóstomo Lima do Nascimento, Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF)

    Doutor em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
    Pós-doutor em Ciências da Religião pela PUC-Campinas.
    Professor Adjunto da Universidade Federal Fluminense (UFF – Campos dos Goytacazes).
    Professor do Programa de Pós-Graduação em Cognição e Linguagem da UENF.
    Campos dos Goytacazes, RJ, Brasil.

Referências

Bauman, Z. (2009). Vida líquida. Jorge Zahar.

Da Gama, R. F. (2023). Reflexões sobre as raízes da neurofobia e possibilidades de mitigação de seus impactos durante a educação médica (Tese de doutorado). Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. https://sucupira.capes.gov.br/observatorio/detalhamento/teses-e-dissertacoes/38723106

Da Gama, R. F., Nascimento, C. L., & Pupe, C. C. B. (2025). From neurophobia to neuroanxiety: Between metaphor, semantics, and pedagogy. Neurology® Education, 4(4), e200271.

Foucault, M. (1979). O nascimento da clínica. Forense Universitária.

Gumbrecht, H. U. (2010). Produção de presença: O que o sentido não consegue transmitir (M. F. Loureiro, Trad.). Contraponto.

Han, B. C. (2017). Sociedade do cansaço. Vozes.

Heidegger, M. (2005). Carta sobre o humanismo (R. E. Frias, Trad.). Centauro.

Heidegger, M. (2010). A origem da obra de arte (I. M. Loureiro, Trad.). Edições 70.

Heidegger, M. (2012). Ser e tempo (M. S. C. Schuback, Trad.). Vozes.

Husserl, E. (1991). A crise das ciências europeias e a fenomenologia transcendental. Forense Universitária.

Jozefowicz, R. F. (1994). Neurophobia: the fear of neurology among medical students. Archives of Neurology, 51(4), 328-329.

Downloads

Publicado

2026-05-16

Como Citar

A Experiência Estética do Ensino como Superação da Neurofobia: Uma Hermenêutica da Facticidade na Educação Médica. (2026). Phenomenology, Humanities and Sciences, 7(1). https://doi.org/10.62506/phs.v7i1.332