A liberdade vivida e a liberdade moral na consciência infantil

Autores

  • Frederik Jacobus Johannes Buytendijk

Palavras-chave:

Tradução de Texto Cla´ssico

Resumo

"Nenhuma palavra tem tanto o dom de desviar o espírito humano do cansaço do trabalho, das preocupações, da contingência das relações apaixonadas, de todo egoísmo e de toda mesquinharia quanto a palavra liberdade. Seu poder mágico é tão grande que seu desejo ardente não é um apelo à uma noção bem definida, mas abre
uma porta que nos leva a outro ambiente. Em nome da liberdade, fizeram-se os sacrifícios mais sublimes e se cometeram as injustiças mais revoltantes. Ninguém sabe exatamente o que é ela, mas todos a consideram como um bem soberano. A história da humanidade e a de cada ser humano em particular são exclusivamente determinadas pela sua relação com a liberdade.
Quando Bergson declara:“A liberdade é um fato, e dentre os fatos que se observa, não existe nenhum mais claro”, a palavra “claro” não indica aqui a clareza de um pensamento intelectual, mas a de um céu sem nuvens. É a percepção da espiritualidade pura, que não se deixa apreender nem se fixar por nenhuma noção. Entretanto, se a liberdade é o bem soberano, dignidade do ser humano, seu último destino, entenderemos facilmente que todo educador deve necessariamente se perguntar como ele deve fazer para envolver a criança nesse bem supremo. Os propósitos e os ideais da pedagogia podem mudar, mas a tendência de dar ao ser humano sua forma mais nobre permanece invariável. Isso significa que tendemos a oferecer a ele uma existência livre. No entanto, se nós ignorarmos as condições que devem ser cumpridas para alcançar a verdadeira liberdade, a liberdade moral, a ética e o tocante da educação estão ameaçados de perderem a força que os impulsiona. Para conhecer a natureza geral e fundamental dessas condições, é necessário examinar o desenvolvimento da consciência da liberdade na criança. É por isso que eu me permito chamar atenção sobre a relação da liberdade vivida e a liberdade moral."...

Biografia do Autor

Frederik Jacobus Johannes Buytendijk

Frederik Jacobus Johannes Buytendijk (∗29.4.1887, Breda, †21.10.1974, Nijmegen) ou, mais conhecido acrônimamente, como F. J. J. Buytendijk. Cientista holandês de orientação fenomenológica, Buytendijk se notabilizou em setores concêntricos de investigação que vão desde a biologia, passando pela antropologia, pela fisiologia, pela psicologia, até chegar à medicina esportiva. Entre suas principais obras, destacam-se: Psychologie des animaux. Paris: Payot, 1928; El juego y su significado: el juego en los hombres y en los animales como manifestación de impulsos vitales. Traducción del Eugenio Imaz. Madrid: Revista de Occidente, 1935; De la douleur. Trad. A. Reiss & Préface Maurice Pradines. Paris: PUF, 1951; Phénoménologie de la rencontre. Trad. Jean Knapp. Paris: Desclée de Brouwer, 1952; Le football: une étude psych ologique. Paris: Desclée de Brouwer, 1952; La femme, ses modes d’être, de paraître, d’exister: essai de psychologie existentielle. Trad. Alphonse de Waelhens et René Micha. Bruges: Desclée de Brouwer, 1954; Attitudes et mouvements: étude fonctionnelle du mouvement humain. Trad. Louis Van Haecht & Préface de Eugène Minkowski. Paris: Desclée de Brouwer, 1957; L’homme et l’ animal: essai de psychologie comparée. Trad. Rémi Laureillard. Paris: Gallimard, 1965

Publicado

2021-04-22

Como Citar

Buytendijk, F. J. J. (2021). A liberdade vivida e a liberdade moral na consciência infantil. Phenomenology, Humanities and Sciences, 2(1), 145-152. Recuperado de https://phenomenology.com.br/index.php/phe/article/view/79