A Emergência da Psicologia e o Surgimento da Fenomenologia
relações histórico-institucionais e tensões epistemológicas
DOI:
https://doi.org/10.62506/phs.v7i1.348Palavras-chave:
História da Psicologia, Fenomenologia, Epistemologia da Psicologia, Filosofia da Psicologia, Institucionalização das Disciplinas CientíficasResumo
O artigo analisa as relações históricas, epistemológicas e institucionais entre a emergência da Psicologia como disciplina científica autônoma e o surgimento da Fenomenologia, sobretudo a partir da obra inicial de Edmund Husserl. Parte-se do contexto das reformas educacionais alemãs do século XIX e da progressiva institucionalização da Psicologia nas universidades, destacando as tensões decorrentes de sua separação da Filosofia. O estudo examina as disputas acadêmicas e teóricas que marcaram esse processo — incluindo debates sobre psicologismo, legitimidade científica e conflitos institucionais, como a Querela da Cátedra de Marburg — evidenciando a proximidade e o antagonismo entre filósofos e psicólogos. Argumenta-se que a Fenomenologia não surgiu isoladamente, mas em diálogo crítico com a consolidação da Psicologia experimental e com as transformações universitárias da época. Como conclusão, demonstra-se que as duas áreas se constituíram em relação recíproca, compartilhando contextos institucionais e problemas epistemológicos comuns. O estudo também aponta limites decorrentes do recorte histórico-documental adotado e sugere investigações futuras comparativas, ampliando análises para outros contextos nacionais e para desdobramentos contemporâneos das relações entre Psicologia e Fenomenologia.
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