A Experiência Estética do Ensino como Superação da Neurofobia: Uma Hermenêutica da Facticidade na Educação Médica
DOI:
https://doi.org/10.62506/phs.v7i1.332Palavras-chave:
Neurofobia, Fenomenologia, Educação MédicaResumo
A neurofobia, frequentemente reduzida a uma dificuldade cognitiva frente às neurociências, é aqui reinterpretada como um fenômeno existencial, enraizado no retraimento ontológico do estudante diante de uma forma de saber marcada pela objetificação técnica. Com base na fenomenologia hermenêutica de Martin Heidegger, o artigo propõe apresentar a neurofobia como expressão de um modo de ser do Dasein que se vê apartado do mundo, da corporeidade e da historicidade do saber. A superação desse retraimento exige, por conseguinte, não apenas mudanças metodológicas, mas uma reconfiguração ontológica do ensino, concebido como um acontecimento (Ereignis) no qual o saber se apropria do estudante por meio da produção de presença. A dimensão estética do ensino, enquanto espaço de desvelamento do ser, é proposta como caminho para restaurar a co-presença, a afetividade e o enraizamento histórico da aprendizagem. Essa abordagem se inspira na concepção heideggeriana de que a arte não é mera representação, mas um acontecimento que põe a verdade em obra, desvelando o ser e instaurando um mundo. Dialoga-se ainda com o filósofo Edmund Husserl com o conceito de mundo-da-vida (lebenswelt) e a crítica literária e hermenêutica de Hans Ulrich Gumbrecht, com quem a reflexão rompe com a lógica eurocêntrica e instrumental da educação médica, apontando para uma razão sensível e situada.
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