O AMOR E A DOR DA INTIMIDADE

Autores

DOI:

https://doi.org/10.62506/phs.v7i1.273

Palavras-chave:

Acontecimento apropriador, história do ser, amor, dor, despedida

Resumo

O artigo é um exercício fenomenológico de esclarecimento do amor a partir da questão fundamental do pensamento tardio de Heidegger, o Ereignis. Nessa direção, o amor aparece como o âmbito do pertencimento entre homem e ser (Seyn) desde o vínculo de mútuo favorecimento. No primeiro momento, indica-se o amor como núcleo do acontecer histórico. O ponto de partida é a definição de amor como o “querer” liberador de cada ente para perdurar conforme o poder de sua própria possibilidade de ser. Então, é aclarado como o cuidado que propicia tudo e cada coisa viger desde si mesma. Nisso, a essência da dor é de início apenas acenada como necessária para a superação da definição metafísica do ser humano enquanto sujeito. No segundo, evidencia-se com mais precisão o sentido do amor a partir da unidade e intimidade entre ser e homem. Para tanto, a noção de referência se torna central. No terceiro, caracteriza-se a dor enquanto correspondência e guarda da despedida do ser, já que a unidade da intimidade é mantida às custas da diferenciação do ser, a qual promove o dilaceramento de uma cisão e afastamento. A dor, ao final, surge como traço ontológico da humanidade que há de vir.  

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Publicado

2026-05-16

Como Citar

Rodrigues Ramos, D. (2026). O AMOR E A DOR DA INTIMIDADE. Phenomenology, Humanities and Sciences, 7(1). https://doi.org/10.62506/phs.v7i1.273